Hamburgueria Beppler

O contexto é a principal matéria prima de muitos projetos. Numa reforma isso mais do que nunca é verdade. Tanto para que a nova arquitetura se encaixe harmonicamente no contexto, quanto para que se destaque fortemente dele, como no caso deste projeto, interpretar o que existe ao redor é primordial.

Neste caso, desde a geometria da arquitetura até a escolha dos materiais, tudo levou em conta o existente, buscando estabelecer uma relação de independência formal e simbólica.

Assim, desde o lançamento em planta, com a mudança de direção no alinhamento frontal da construção, a Hamburgueria se “descolou” da loja do posto, onde está instalada.

O uso do tijolo como revestimento e das toras de eucalipto como brises na fachada do salão, tanto atendem à questão simbólica de dar “cara” a uma marca já cheia de personalidade, quanto diferenciam fortemente este trecho da construção existente, pela oposição às cores e materiais frios que compõem a arquitetura do posto.

A geometria da ampliação, que criou o volume do salão, coberto com as toras de eucalipto, foi a resposta volumétrica encontrada para se contrapor à rígida sequência de aberturas da loja do posto.

Essa intervenção também agrega a solução de sustentabilidade do projeto, trazendo conforto ao usuário e economia de energia, protegendo o espaço interno da forte insolação daquelas fachadas, evitando o calor e o excesso de luz natural, incorporando ainda a madeira de reflorestamento como um importante componente da arquitetura.


A entrada se dá por um ambiente onde aproveitamos o pé direito alto, original da parte da loja que já existia, usando pendentes de alumínio para valorizar a altura. Ali uma mesa alta, para a espera e os aperitivos faz a fronteira entre a área de trabalho interno e a área o atendimento.

O uso dos diversos materiais e cores traduziu a intenção da marca de compor um ambiente democrático, que atendesse a toda sua gama de público, desde famílias completas nos finais de tarde até os grupos de jovens do início da madrugada.

No ambiente interno, o piso de cimento queimado brinca com uma reaproximação ao posto, repetindo a solução de pavimentação.

No terraço externo, descoberto, um piso modular de fulget valoriza a diferenciação.

 

Fotos do Pedro Caetano