Um telheiro sobre pedras

PRÊMIO CATARINENSE DE ARQUITETURA
Categoria RESIDÊNCIAS

Esta casa na serra catarinense, construída para um cliente para quem já havíamos projetado a casa em Florianópolis, nos chegou com uma demanda bem explícita – uma casa moderna, “mas com telhado” – foi a frase do proprietário logo nas primeiras conversas sobre o projeto. A casa na cidade tem um desenho bastante geométrico e largos beirais de concreto que ocultam uma cobertura praticamente plana, de telhas metálicas. O recado foi entendido – ele queria uma arquitetura que proporcionasse sensações diferentes das que ele já curtia na casa da cidade.

Combinado o pressuposto, o projeto iniciou com estudos da implantação no terreno, bastante amplo e com um grande desnível, descendo 20 metros a partir do limite com a estrada do condomínio. O ponto escolhido para a implantação era já um trecho mais plano, na parte alta do terreno, com vista para o vale e o planalto seguinte.

 A localização da casa no terreno acompanhou o desenho das curvas de nível e com isso surgiram os 03 volumes independentes e articulados entre si, compondo uma curva a partir de três retas.

Foto feita em julho/13 durante a neve que caiu em SC

Assim a arquitetura se acomodou bem ao terreno e ainda pudemos orientar os ambientes de acordo com a melhor insolação, tão importante numa região de frio como esta.

O volume central, onde se concentra todo o espaço de convívio, é como um pavilhão todo construído em pedra, vidro e madeira, com um amplo telhado, enquanto os anexos laterais abrigam as áreas privativas e são construídos em alvenaria convencional com coberturas planas. O contraste entre as volumetrias deu grande destaque à presença do telhado e assim atendeu ao pressuposto do projeto, sem deixar de lado os traços modernos. 

A fachada para a estrada, mais fechada, resguarda a privacidade da casa, enquanto o lado oposto, voltado para a paisagem é todo aberto em vidros e esquadrias. Até o conjunto de churrasqueira, forno a lenha e forno de pizza, localizados em um nicho desta fachada, foi desenhado de maneira a permitir que através dele se aproveitasse a vista.

 Em frente à fachada envidraçada o terraço elevado forma um patamar aberto que amplia a área de convívio adjacente à casa, dificultada pela forte inclinação do terreno. É ali que os encontros da família se expandem, e todos curtem a chegada do frio a cada fim de tarde.