Ubaiá


O conceito que mais nos inspirou, trazido pelo cliente nas referências para o projeto foi o de “vida simples”. O projeto deveria resultar num ambiente que expressasse simplicidade, fosse muito ligado à origem dos produtos, facilitasse a comunicação da sua boa origem e permitisse variedade de formas de exposição.

Além disso, apesar de ser, em primeiro lugar, um empório de produtos orgânicos, deveria dar importância ao consumo dos alimentos no local, propiciando uma experiência completa ao cliente. Assim, o layout do espaço nasceu com as bancadas centrais para preparar e servir cercadas pelas estantes onde se expõe os produtos.

O “circuito” permite ao cliente passar por todos os setores da loja sempre em contato próximo com a equipe no balcão central, que pode orientar, esclarecer e até preparar um suco com a fruta escolhida diretamente da caixa de exposição.

O projeto não poderia deixar de lado as preocupações com o impacto ambiental da sua implantação. Reaproveitamos o acabamento existente no galpão, de telhas trapezoidais, como fechamento e tratamento das empenas laterais.

Nas paredes internas, utilizamos sempre madeira resultante de reflorestamento, seja nos compensados de virola, envernizados, seja no painel branco dos fundos, feito de réguas de pinus. Ainda, na área interna de trabalho, para atender a agilidade necessária à obra (o ambiente foi montado em 30 dias) utilizamos forro modular de PVC e nas paredes chapas de MDF resistente à água como fechamento para o drywall, dispensando qualquer trabalho posterior de acabamento. Uma vez montados, estava pronto o ambiente.

O mobiliário foi criado seguindo os mesmos conceitos. Para as estantes, uma estrutura metálica cujo acabamento é resultado do próprio processo de galvanização (proteção contra ferrugem) tem suas laterais revestidas com um “reguado” de madeira onde foram usadas intencionalmente espécies variadas, dispostas de forma aleatória, remetendo ao uso informal da madeira nos ambientes rurais e permitindo um resultado plástico que incorpora a espontaneidade, uma vez que a escolha do próprio artesão determinou a sequência de cores que resulta da mistura de madeiras.

Esse “reguado” aparece também em todo o contorno da bancada central, transformando-o quase numa grande “caixa de feira” de onde sairão os alimentos preparados.

A ardósia é outro material importante, utilizada aqui nos diversos tampos (bancadas centrais, vitrine de queijos, painel de vinhos, balcão do caixa) pelo seu aspecto rústico. Além disso, o proprietário queria ter a possibilidade de deixar mensagens orientando o consumo espalhadas pela loja, de uma forma que pudessem ser atualizadas com frequência como “quadros negros”.

A ardósia foi no passado um dos materiais que formava o quadro negro em salas de aula, pela facilidade em escrever e apagar com giz. Assim, em todos os lugares é mais um suporte para mensagens.

A tela de galinheiro, em arame galvanizado, foi utilizada como acabamento sobre os grandes planos de vidro que cercavam parte da loja, para aproximá-los da linguagem mais rústica do projeto, sem perder a transparência.

A iluminação utiliza LEDs de diversos formatos, seja em fitas para iluminação indireta, lâmpadas PAR e AR focadas nas estantes, bancadas e plantas e lâmpadas balão nos pendentes de alumínio para a iluminação mais geral do ambiente.

Fotos do Pedro Caetano